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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os pica-paus

Os pica-paus


Dois pica-paus saíram pela floresta à procura de uma boa árvore para construir cada um o seu ninho.
Um deles era tolo e insensato vivia a vida sem qualquer cuidado. O outro era prudente, cauteloso em tudo que fazia.
Depois de algum tempo voando, encontraram uma árvore larga e alta, com uma aparência de grande robustez. Mas, nas primeiras bicadas, um dos pica-paus logo notou que a árvore estava seca, com o tronco oco e sem vida.
Desistindo de fazer um ninho ali, partiu em busca de outra árvore, que lhe proporcionasse maior segurança.
O outro pica-pau, vendo o companheiro se afastando, disse-lhe, convencido:
- Por que vai embora? Esta árvore não lhe agradou? Para mim ela está perfeita!
-Ela não me parece tão segura assim. Prefiro procurar melhor – respondeu convicto, o pica-pau prudente.
Passado alguns meses, com os pássaros aconchegados no ninho, uma poderosa tempestade assolou a floresta. Não tardou para a velha árvore seca ruir e tombar ao chão, destroçando o ninho do desatento pica-pau.


O prudente percebe o perigo e busca o refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as conseqüências.
Provérbios 27.12










O canário sábio


O canário sábio


Todas as manhãs um bando de canários revoava a campina, cantarolando docemente sua melodia.
Um deles, o mais novo do bando, preferia passar longos momentos com um casal de corujas, que aninhava nos galhos de um velho carvalho.
Sempre educado e atencioso, o jovem canário prestava atenção em tudo o que as corujas lhe ensinavam sobre a vida selvagem.
Mas os outros pássaros do bando ficavam irados ao ver um de sua espécie envolvido em conversas com aquelas aves sinistras.
O canário, porém, desfrutava de ensinamentos que fariam diferença em seu viver diário.
As sábias corujas o instruíam em diversos conselhos, principalmente sobre como escapar das armadilhas humanas, tantas vezes observadas por elas, de seu esconderijo.
Apesar da insistência dos companheiros de bando, o canário preferia a companhia das corujas, em vez de passar o dia cantarolando à toa. Como forma de gratidão, ele entoava um doce canto para as corujas, que, silenciosas, se maravilhavam com o talento da pequena ave.
Os dias se passaram. Na primavera daquele ano não se viu nenhum bando de canários em revoada cantante. Todos haviam sido capturados e presos em gaiolas pelos caçadores cruéis. Apenas um deles permaneceu cantando, solitário, no galho de um velho carvalho, tendo por platéia um simpático casal de corujas.



Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal.
Provérbios 13.20



Dona Minhoca

Dona Minhoca



Havia, num sítio, uma minhoca especial. Ela fazia o seu serviço diário de arejar a terra com muito prazer e responsabilidade. Furando a terra e revolvendo os nutrientes, a minhoquinha cumpria, perfeitamente, a sua função na natureza.

Até as galinhas, que não dispensavam um bom petisco, respeitavam a minhoca, sabendo do bem que ela fazia à plantação de milho que servia para alimentá-las.

E todas as manhãs, o cumprimento se repetia:

- Bom dia, dona minhoca! – falavam as aves.

- Bom dia, senhoras Galinha!- respondia a minhoca.

Tal comportamento despertava espanto nas galinhas do sítio vizinho, que ficavam sem entender tamanho amizade entre bichos tão diferentes.

Mas só quem convive com os benefícios da paz reconhece o desperdício da guerra.



Quando os caminhos de um homem são agradáveis, ao Senhor, ele faz que até os seus inimigos vivam em paz com ele.

Provérbios 16.7


A plantinha impaciente

A plantinha impaciente


Num bosque verdejante, belas árvores balançavam embaladas ao sopro do vento. Entre elas, tímida, uma plantinha crescia ansiosa para tornar-se uma daquelas exuberantes árvores.
A cada manhã, ela esticava seus frágeis galhos, esperançosa de ter alcançado alguns centímetros a mais. Mas a tristeza logo a abatia, pois nada havia acontecido. Sua ânsia em crescer a impedia de perceber as belezas da natureza ao redor. Ela só tinha olhos para as grandes árvores.
Os anos passavam voando, e a pequenina planta já havia alcançado uma boa altura, mas a sua infelicidade voltava sempre que ela se comparava às outras árvores do bosque. A insatisfação era tanta que a levou ao ponto de reclamar, aborrecida:
- O Criador é muito lento para fazer as coisas. As árvores podiam crescer mais rápido, e dessa forma o mundo seria bem melhor. O ar seria mais puro, teria mais sombra para todos...
Nesse instante, subiu no seu fino caule uma lagarta que, atenta, lhe falou:
- Não tenha pressa, minha querida plantinha! O sábio Criador tem um tempo certo para tudo acontecer. Aproveite que você ainda é pequena e busque fortalecer bem as suas raízes para o futuro que virá. Não se esqueça de que você é uma sequóia, a maior árvore do mundo!
A plantinha seguiu o conselho da lagarta. Passou a viver feliz, aguardando pacientemente, o futuro que o criador havia lhe reservado.
E assim, anos mais tarde, o lugar passou a ser conhecido como o Bosque da Sequóia, a árvore mais alta daquela floresta.


O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima.
Provérbios 12.25



A nuvem, a chuva e o vento

A nuvem, a chuva e o vento



Solitária no céu, uma nuvem vagava à procura de um lugar que precisasse de um pouco de chuva. Como estava carregada de água, se deslocava lentamente, tentando não se desmanchar antes de chegar ao seu destino.

O senhor Vento, ao vê-la tão pesada e com dificuldades para locomover-se, perguntou com delicadeza:

- Para onde vai com tanta pressa assim, dona Nuvem?

- Ora, não vê que estou atarefada, transportando a minha chuva para um lugar distante? – respondeu a nuvem asperamente.

O senhor Vento ficou enfurecido com a resposta malcriada da nuvem e resmungou:

- Se você fosse um pouco mais educada, eu até poderia ajudá-la em sua jornada. Mas, como faltou com respeito comigo, continue seu trabalho sozinha.

E do interior da nuvem uma gotinha de chuva que ouvia a discussão acalmou o senhor Vento dizendo:

- Ó poderoso vento, ajude-me a molhar a terra para que ela produza plantas e árvores, que balancem e mostrem a todos a sua honrada presença.

Aquelas palavras tocaram o senhor Vento com a delicadeza de uma brisa, e então ele conduziu a nuvem para o deserto, para que as árvores fossem regadas com a chuva, e produzisse muitos frutos.



A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.

Provérbios 15.1






A flor solitária


A flor solitária


Uma margarida e uma rosa conversavam, muito tristes, sobre o pobre lírio, que havia murchado de tanto tomar sol.
Uma bela orquídea, que em tudo se intrometia, não perdia a oportunidade de ficar sabendo das novidades do jardim. Ela gostava mesmo era de aprontar a maior confusão com tudo o que ouvia.
- Bom dia, Hibisco! Sabe da última do jardim...? – dizia ela as flores.
A orquídea tinha sempre algo a falar e nunca conseguia ficar com sua inquieta boca bem calada.
Falou tanto e de tantos que, aos poucos, as flores do jardim perceberam que não valia a pena contar nada perto da orquídea. E, assim, foram se afastando até ela ficar só e desolada.
Agora, a grande novidade, contada para nova flor plantada ali, era sobre uma triste orquídea, que vivia solitária e murcha, esquecida num canto do jardim.


Quem vive contando casos não guardam segredo; por isso, evite quem fala demais.
Provérbios 20.19



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